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Paixão por Lisboa

Espaço dedicado a memórias desta cidade

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A Torre de Belém, e o Caminho de Ferro de Lisboa a Sintra

Na "Revista pittoresca e descriptiva de Portugal com vistas photographicas", de Joaquim Possidonio Narcizo da Silva, a vista photografica da Torre de S. Vicente de Belem, e que aqui reproduzo, vem acompanhada com um texto do qual saliento este pequeno excerto:
"...no primeiro plano vêem-se os destroços da famigerada linha ferrea, que da deliciosa Cintra havia de fazer um bairro de Lisboa; apenas alguns tôros já damnificados pela acção do tempo, apenas uma estreita lingueta de terra, são os unicos vestigios de tão brilhante empreza, a qual foi começada sob tão lisonjeiros auspicios, mas infelizmente o cruel destino a fez morrer no seu dourado berço."
Temos que recuar até ao ano de 1854, mais precisamente a 30 de Setembro, para sabermos mais sobre esta «empreza»: "Dom Fernando, Rei Regente dos Reinos de Portugal, Algarves, etc., em Nome d'El-Rei, Fazemos saber a todos os subditos de Sua Magestade, que as Côrtes Geraes decretaram, e Nós Queremos a Lei seguinte:
É approvado, na parte que depende da sanção legislativa, o contrato celebrado aos 30 de Setembro de 1854, entre o Governo e De Claranges Lucotte, para a construcção de um caminho de ferro de Lisboa a Cintra, o qual contrato vae junto á presente Lei, e d'ella faz parte."
Este contrato, que envolvia a construção de um cais, e uma doca, para além do referido caminho de ferro, foi celebrado e assinado em 26 de Julho de 1855, por Fontes Pereira de Melo, então Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda, sendo ainda interinamente, encarregado do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Industria.
Como se viu, em 1962, data da photografia, estava a obra interrompida. Em 1963, surgia novo contrato:
"Aos 30 dias do mez de maio de 1863, n'este ministerio das obras publicas, commercio e industria, e gabinete do ill.mo e ex.mo sr. duque de Loulé, presidente do conselho de ministros, ministro e secretario d'estado dos negocios estrangeiros, e interinamente encarregado do ministerio das obras publicas, commercio e industria, onde compareci eu Ernesto de Faria, do conselho de Sua Magestade, secretario d'este ministerio, estando presentes de uma parte o mesmo ex.mo sr. ministro, primeiro outorgante em nome do governo, e da outra parte o cidadão francez Hubert Debrousse, assistindo a este acto o bacharel Antonio Cardoso Avelino, ajudante do procurador geral da corôa junto ao mesmo ministerio, foi dito perante mim e testemunhas abaixo nomeadas, pelos mencionados outorgantes que haviam concordado em celebrar um contrato para a concessão dos terrenos já conquistados e a conquistar sobre o Tejo na margem direita d'este rio, para o estabelecimento de docas e de um dique de querenar, bem como para um caminho de ferro de Lisboa a Cintra, na conformidade das condições e clausulas abaixo transcriptas, a cuja execução e cumprimento se obrigaram, o primeiro outorgante em nome do governo, e o segundo em seu proprio nome."
Bibliografia consultada:

"Revista pittoresca e descriptiva de Portugal com vistas photographicas", de Joaquim Possidonio Narcizo da Silva

"Collecção Official da Legislação Portugueza", Anno de 1855

"Collecção Official da Legislação Portugueza", Anno de 1863

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 Fotografia in http://purl.pt/26977/1/index.html#/19/html

 

 

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