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Paixão por Lisboa

Espaço dedicado a memórias desta cidade

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Banhos de São Paulo

"História do Edifício dos Banhos de São Paulo
A actual sede da Ordem dos Arquitectos foi, durante mais de cem anos, o local onde as populações mais pobres de Lisboa vinham a banhos. As paredes dos Banhos de São Paulo também serviram de centro de conspiração aos revoltosos do 5 de Outubro.
Numa zona de «poços e águas milagrosas» construíram-se os Banhos de São Paulo, por detrás da Igreja de São Paulo (uma reconstrução posterior ao terramoto e com mudança de local e de orientação, visto que já não está virada para o rio). Rica em termos de água, esta área contou com diversos poços, como a Bica dos Olhos ou as famosas águas do Arsenal.
O seu destino foi o desaparecimento ou terem ficado inquinadas. Os Banhos de São Paulo funcionaram por mais de um século e mantiveram um carácter social – eram as termas mais baratas do país. Chegaram a atingir uma frequência de duas mil pessoas por mês.
As finalidades medicinais eram várias: problemas respiratórios, reumatismo, artrite, nevralgias, doenças de pele, gota… a lista é longa. Na construção do edifício usaram-se alvenarias de pedra e cascalho, com cantaria no alçado neo-clássico principal, pilares metálicos em torno da clarabóia central – a estrutura em ferro da galeria era um dos seus pontos de interesse – madeiras em pavimentos, vigamentos e escadas.
Uma caldeira instalada após a construção, junto ao alçado sul, providenciava a bombagem e o aquecimento das águas.
Após a remodelação, conservou a volumetria inicial, a fachada principal e a traseira, a concepção do espaço interior em torno de um grande espaço central e, em memória do antigo uso, uma chaminé.
As galerias e os diversos gabinetes tinham paredes revestidas a azulejos, devidamente hierarquizados. Em 1986 ainda se encontravam vários azulejos nas paredes, em muito mau estado. O edifício era de estilo neoclássico – o primeiro dos revivalismos do século XIX."

Termas de São Paulo, 1951,foto de Eduardo Portuga

Termas de São Paulo, 1951,foto de Eduardo Portugal, in a.f. C.M.L.


"Cronologia
1829 – Na fixação dos alicerces da extremidade meridional da ala ocidental da Praça do Comércio (edifício do Arsenal da Marinha) é encontrada uma fonte de águas mornas cloretadas e sulfurosas, proveniente do fundo dos caboucos, em grande quantidade.
Os próprios operários apercebem-se das suas propriedades – em contacto com a água morna, as úlceras de que padeciam nas pernas pareciam melhorar.
Em breve, confirma-se que se achou uma nascente de águas sulfurosas com propriedades curativas.
O seu uso começa a fazer-se num velho brigue junto à Ponte do Arsenal, perto da «Caldeirinha». É construído um balneário medicinal público, instalado num barraco junto ao Tejo. Desde o início da descoberta, as águas beneficiam, essencialmente, a população mais carenciada.
1855 – Os armazéns contíguos ao Forte de São Paulo são cedidos à Misericórdia de Lisboa para a construção de um estabelecimento de banhos. Por detrás da Igreja de São Paulo, é construído um balneário medicinal público, equipado com a aparelhagem mais moderna da altura. O projecto é do arquitecto e engenheiro francês radicado em Portugal Pierre-Joseph Pézarat (1801-1872).
1863 – Fim das obras dos Banhos de São Paulo. As águas medicinais vindas do Arsenal são conduzidas até às Termas por máquinas a vapor e através de canalização. O seu uso manterá sempre um carácter social: das 54 tinas, metade destinava-se expressamente a pobres.
1868 – São descobertas águas muito ricas em propriedades químicas a 250 metros do edifício dos Banhos de São Paulo, num poço situado na Abegoaria Velha da Câmara, junto à actual esquadra da PSP.
1907 – Frequentam os Banhos de São Paulo uma média de 1500 doentes por ano (de 15 de Maio a 31 de Outubro).
1910 (4 de Outubro) – Uma informação errada que dava a Revolução republicana como perdida, recebida nos Banhos de São Paulo, leva Cândido dos Reis ao suicídio. Os conspiradores da Revolução do 5 de Outubro reuniram-se nos Banhos de São Paulo devido à sua localização central mas discreta, onde instalaram um quartel-general de informação e comando.
Pelo facto de as águas do Tejo se irem poluindo – ou porque a canalização se deteriorou – o caudal de São Paulo perde propriedades (para combate a doenças de pele, fígado e intestinos, reumatismo).
1974 – A Direcção Geral de Saúde conclui que as águas estão inquinadas. Vários estudos indicam que é preciso gastar muito dinheiro para voltar a usá-las.
1976 – Devido a inquinamento das águas, o edifício fecha as portas como balneário termal.
1978 – O edifício é colocado à venda. Numerosos alertas nos jornais chamam a atenção para o valor histórico e arquitectónico do edifício. O edifício é declarado de interesse público.
1979 – O edifício é salvo da venda e demolição, devido a notícias nos jornais e à acção do historiador José-Augusto França.
1982 – Classificação do edifício como Imóvel de Interesse Público.
1983 – A Junta de Freguesia de São Paulo ocupa o espaço interior do edifício com um ginásio infantil.
1990 (Julho) – O edifício é cedido à Associação dos Arquitectos Portugueses, antecedente da Ordem dos Arquitectos.
1990 (15 de Outubro) – A Associação dos Arquitectos Portugueses lança um concurso público para a requalificação dos Banhos de São Paulo e para adaptação do edifício a sede da Associação.
1990 (Novembro) – Secretaria de Estado da Cultura declara o interesse cultural do projecto de recuperação dos Banhos de São Paulo.
1991 (Julho) – O projecto é aprovado pelo Instituto Português do Património Cultural.
1991 (Outubro) – O projecto é aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa.
1992 (Setembro) – Inicia-se a reconversão do edifício, segundo um projecto dos arquitectos Manuel Graça Dias e Egas José Vieira, concluída em 1994."

Planta topográfica de Lisboa 10 E, 1925, de José

Planta topográfica de Lisboa 10 E, 1925, de José António Passos, in A.M.L.

Banhos de São Paulo, 1968, foto de Armando Serôd

Banhos de São Paulo, 1968, foto de Armando Serôdio, in a.f. C.M.L.

Termas de São Paulo, 1951,foto de Augusto Fernand

 Termas de São Paulo, 1951,foto de Augusto Fernandes, in a.f. C.M.L.

Textos in Biblioteca Ordem dos Arquitectos

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