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Paixão por Lisboa

Espaço dedicado a memórias desta cidade

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Estátua de Dom Pedro IV

A leitura deixou de fazer parte dos hábitos dos portugueses, é uma coisa que já se sabia. Agora com a "Internet", pior. Vêem-se as imagens, lê-se as legendas de través, e os textos? bem os textos, dão muito trabalho, e eu quero é ver bonecos.
Vem este intróito, a propósito da Estátua de D.Pedro IV, instalada na Praça do mesmo nome, mas a que o povo continua a apelidar de Rossio.
Ora esta estátua continua a ser alvo da frase "que não é D. Pedro, mas sim, Maximiliano, do México", que a estátua representa.
Bastava ler um bocadinho mais e não acreditar em tudo o que circula por aí, para podermos chegar à verdade dos factos sobre a Estátua de D.Pedro IV.
Socorramo-nos de Júlio de Castilho, e da sua obra: "Lisboa Antiga, Bairros Orientais", Vol. X., para elucidar certos factos que se prendem com a história da Estátua.
- Em 17 de Julho de 1852 a Rainha D. Maria II foi em grande estado lançar a pedra fundamental do monumento do Imperador no Rossio.
- O monumento, de caricata memória, era alcunhado de «galheteiro» (já por aqui fiz referência ao facto, em o "Galheteiro do Rossio") pelo público, não chegando a concluir-se.
- Nas festas do casamento de D. Pedro V foi ele aproveitado para receber uma coluna que era terminada pela estátua do «hyrmeneu». Pareceu a muitos que seria esta forma de monumento a mais adequada à disposição e dimensões da praça, e daí nasceu a ideia de um terceiro monumento que é o que está lá.
- Com o ano de 1864 raiou para o monumento do imperador uma era nova.
Tinham falecido alguns membros da comissão de 1852; outros achavam-se ausentes, outros haviam-se exonerado do cargo, a comissão podia considerar-se de facto dissolvida.
- Em 25 de Fevereiro de 1864 ordenou-se a destruição do «galheteiro»; e logo em 30 de Março saiu o programa para um largo concurso internacional do monumento novo.
Apareceram à chamada oitenta e sete projectos: de Itália, da Rússia, de França, de Inglaterra, da Holanda e da Bélgica, fora vários de Portugal.
Foi escolhido o projecto dos artistas franceses Elias Robert, escultor, e Jean Antoine Gabriel Davioud, arquitecto.
- Em 29 de Abril de 1867 lançava-se a primeira pedra; e em 29 de Abril de 1870, celebrava-se com grande pompa, na presença de toda a Lisboa, a inauguração do grande monumento, cujos autores eram estrangeiros, sim, mas cujo pensamento era nosso, e cuja execução fora entregue ao hábil canteiro português Germano José de Sales, sendo as quatro figuras dos cantos, a saber: a Força, a Moderação, a Justiça e a Prudência, esculpidas pelos artistas portugueses Fortunato e Punhe, além dos estrangeiros Coslande e Colard.
Concluindo o autor revela um pormenor desconhecido de muitos:
Quando se abriu o concurso internacional para a realização do monumento, foi necessário mandar para os concorrentes estrangeiros fotografias do rosto de D. Pedro IV. Encarregou-se do desenho que havia de fotografar-se, Miguel Lupi, que executou a carvão dois retratos do imperador, servindo-se de várias litografias e quadros a óleo contemporâneos, que foram emprestados pela augusta viúva*. Depois de concluídos os carvões, foram levados à imperatriz*, que escolheu dentre os dois o que melhor lhe pareceu.
Desses carvões, foram então tiradas fotografias, e mandadas aos concorrentes.
E com estes dados se conta a história, da estátua de D. Pedro IV.

 

*Não faço porém noção a que "augusta viúva", e imperatriz, se refere Castilho. A imperatriz Leopoldina de Áustria, esposa de D.Pedro IV havia falecido em 1826, antes do marido. D. Maria II, filha de ambos e rainha de Portugal, faleceu em consequência de parto em 1853. A Rainha D. Estefânia, faleceu antes do marido, D. Pedro V, em 1859. A rainha que lhe sucede é D. Maria de Sabóia, esposa de D.Luís, que enviuvou de facto, mas em data posterior aos acontecimentos narrados, em 1889.

Estátua de Dom Pedro IV, post. 1880, foto de Lega

Praça e Estátua de Dom Pedro IV, post. 1880, foto de Legado Seixas, in a.f. C.M.L.

Rossio, 1862, foto de Wenceslau Cifka. Coll. Lisbo

Rossio, com o "Galheteiro" 1862, foto de Wenceslau Cifka. Coll. Lisboa Desaparecida, vol. 7

2.jpg

  in "Lisboa Antiga, Bairros Orientais", Vol X

Inauguração da estátua de Dom Pedro IV, 1870, f

Inauguração da estátua de Dom Pedro IV, 1870, foto de Legado Seixas, in a.f. C.M.L.

Inauguração da Estátua de Dom Pedro IV, fotogra

Inauguração da Estátua de Dom Pedro IV, fotografia de Francisco Rocchini, fotografada por José Arthur Leitão Bárcia, in a.f. C.M.L.

Monumento a Dom Pedro IV, sd, foto de José Chaves

Estátua de Dom Pedro IV, s/d, foto de José Chaves Cruz, in a.f. C.M.L.

 

 

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